heldercorreia.pt

autodidata, programador e consultor

2012 e o fim do mundo

O ano 2012 tem sido alvo de muita atenção nos últimos tempos devido ao calendário Maia. Em suma, o calendário Long Count—usado para registar eventos num longo período de tempo—, começou a sua contagem em 3113 A.E.C, e tem a duração de 5125 anos, terminando em 2012. Devido a isso, o ano 2012 tem sido publicitado por muitos como o fim do mundo. Uns gozam com isso, quando outros, olhando para os dias que correm, abraçam essa possibilidade e cedem ao medo do futuro. Mas há uma terceira perspectiva.

Eu estive recentemente no México em viagem, e os Maias de hoje dizem que enquanto o grande ciclo de 5125 anos termina a 21 de Dezembro de 2012, um novo grande ciclo se inicia no dia seguinte. É claro um motivo de grande celebração o terminar de um ciclo, mas não é o fim do mundo.

Será no entanto que é apenas mais um ciclo, ou este tem particular importância? Existe um motivo para o calendário medir 13 Baktuns e terminar em 2012? Sim, para os Maias, 13 Baktuns representam uma era mundial. Apesar de não haver datas registadas fora deste período (antes ou depois), eles falavam do 5° grande ciclo, ou o 5° Sol dos Astecas, o que significa que para eles já existiram 4 outros antes deste.

Os nossos antepassados acreditavam que o tempo era regido por ciclos dentro de ciclos. Eles registaram a sua experiência do “fim dos dias” como o final de um grande ciclo, mais comumente denominado por “era”, e que portanto não é o fim do mundo, mas sim o início de outra era.

Eu não sigo a tendência de banalizar as crenças dos nossos antepassados pelo argumento de que eram primitivos. Colocando a interpretação de fenómenos naturais como intervenção divina aparte, haviam certas ideias muito semelhantes entre vários povos antigos (numa altura em que supostamente não se comunicavam por estarem tão afastados), e uma sabedoria em geral, que foi-se perdendo ao longo dos tempos.

Existe uma consistência surpreendente entre os vários povos, nas suas descrições de eras passadas, e como cada uma terminou. Talvez a ideia mais central que partilhavam foi a de um evento que “limpa” uma era e prepara o mundo para a próxima.

Eles variam ligeiramente no número de eras correntes, e nos seus nomes: maias, 5 grandes ciclos; astecas, 5 sóis; hindus, 4 yugas; hopi, 4 mundos; egípcios, eras. Outros povos na Mesoamérica (e.g. incas) e em África (e.g. dogons, zulus) também são de notar. Mas mesmo com cataclismos, a crença geral era que após a transição, a próxima era será uma era de ouro.

A interpretação mais comum de 2012 é que o mundo acabará tal como o conhecemos. Eu ouço essa última parte vezes sem conta “tal como o conhecemos”, no entanto traduz-se para desgraça e completa destruição. Penso que a tradução mais correcta é transformação profunda. Quase universalmente, a escuridão do nosso ciclo é descrita como um período breve mas intenso de caos e confusão. Não precisamos demolir edifícios velhos para construir novos?

Não creio que vá haver uma guerra nuclear, queda de meteorito ou grande dilúvio. Mas de uma coisa estou convencido. A humanidade encontra-se num ponto muito crítico de escolha. Ou destruimo-nos, ou temos uma transformação profunda. Qual o futuro que vamos escolher? Apesar daquilo que aparece nas notícias, há eventos que passam mais despercebidos, mas que me faz pensar que essa escolha já foi feita de forma colectiva, inconscientemente ou não.

Não é preciso esperar por 2012, aliás, eu nem dou muita importância à data em si. Não me parece que irá acontecer tudo nesse dia. A mudança está a acontecer agora. As pessoas estão a descobrir uma nova maneira de ser, uma nova forma de viver. Talvez o maior despertar que estamos a experienciar é a descoberta do facto de que temos escolha.

A profecia Hopi descreve bem esta escolha:

A mudança está em cada um de nós. Assim como uma lagarta se transforma numa borboleta, eu acredito também, como os nossos antepassados, que nós estamos a atravessar agora uma metamorfose. O mundo está-se a transformar perante os nossos olhos. Os Maias viam o tempo numa era mundial como um período de gestação. É como as dores de parto da humanidade, que está a nascer uma nova consciência, com novos paradigmas.

Para mim 2012 não representa o fim do mundo, mas o começo de outro.

Update: ver profecia Maia nos comentários.

Comentários